Segue um texto interessante sobre Schiele. Vou fazer um recorte do texto para uma leitura rápida e em seguida dou o link com o texto completo. A quem interessar; boa leitura:
´´DE PERNAS PARA O AR
Morto há oitenta anos, o pintor Egon
Schiele agita o fim do século
Schiele agita o fim do século
Marcos Sá Corrêa
...o expressionista Egon Schiele, um pintor cuja obra passou a maior parte do século sem sair de Viena, enfiada em pinacotecas particulares, tapada do público com pudores que o autor nunca teve. "A temática é difícil", avisa no catálogo o anfitrião Glenn Lowry, preparando o visitante para "o erotismo cru e intenso" de Schiele nas 150 peças que Rudolf Leopold, um colecionador austríaco, emprestou ao museu.
..Schiele morreu há quase oitenta anos. Pintou para atacar a convenção de que no corpo humano a cabeça fica acima do sexo. Como isso é questão de perspectiva, ele tinha recursos de sobra para obrigar o espectador a encarar o outro ponto de vista, grudando-lhe os olhos com traços e cores no foco de suas obsessões sexuais. Por 9,50 dólares, o ingresso é a melhor compra que se pode fazer em Nova York nesta temporada...
...O que significa que, para chegar às paisagens que pintou como adulto, se percorre o caminho de sua formação, quando pintava auto-retratos masturbando-se diante de espelhos, despia Gertrude, sua irmã caçula, recrutava para o estúdio meninas de rua entre os esfomeados de Viena, virava empregadas domésticas pelo avesso e pegava como modelos as esgazeadas pacientes do ginecologista Erwin von Graff. Tudo isso numa época em que, no Brasil, ainda se espiava tornozelo de mulher em ponto de bonde.
Mercado entalado
Egon Schiele teve vida curta e trágica. Sua carreira inteira não cobre uma década. Nela, produziu 300 telas e 3.000 desenhos num mercado em que esteve a maior parte do tempo entalado. Morreu aos 28 anos de gripe espanhola, depois de passar incólume como soldado pela I Guerra, servindo na retaguarda em repartições burocráticas do Exército imperial. Era filho de um chefe de estação que contaminou a família com sífilis, contraída numa visita a um bordel de Trieste durante a lua-de-mel. Quatro dos sete filhos do ferroviário Adolf Eugen morreram na infância. Depois de enlouquecê-lo e desempregá-lo, a doença acabou com ele antes que o resto passasse da adolescência.
Criou-se numa família de classe média que se pendurava precariamente nas bordas da pobreza, numa sociedade rachada por abismos de renda. A Áustria de seu tempo estava rachada entre o fim de festa da belle époque e a dissolução do Império Austro-Húngaro. Viena era ao mesmo tempo a brilhante corte de Sigmund Freud, Gustav Klimt, Arnold Schoenberg, Ludwig Wittgenstein e o território de menores abandonados, desempregados, revolucionários, funcionários corruptos e desgoverno. Sob a esclerose de Francisco José, cada vez mais gagá, o império caía aos pedaços. A histeria era a doença da moda. Para os literatos, o suicídio era ponto de exclamação...´´
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Bem, ficou um pouco extenso, mas é porque o texto na íntegra é bom mesmo. Vou repassar o link para que o leitor possa ler o texto completo:

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