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quinta-feira, 16 de junho de 2011

Indústria Cultural




Segue um pequeno trecho de um texto de Adorno sobre a indústria cultural:

´´   Tudo indica que o termo indústria cultural foi empregado pela primeira vez no livro ...(Dialética do esclarecimento), que Horkheimer e eu publicamos em 1947, em Amsterdã. Em nossos esboços tratava-se do problema da cultura de massa. Abandonamos essa última expressão para substítui-la por ´´Indústria Cultural´´, a fim de excluir de antemão a interpretação que agrada aos advogados da coisa; que pretendem, com efeito, que se trata de algo como uma cultura surgindo espontaneamente das próprias massas, em suma, da forma contemporânea da arte popular...O consumidor não é rei, como a Indústria Cultural gostaria de fazer crer, ele não é o sujeito dessa indústria, mas seu objeto...As mercadorias culturais da indústria se orientam, como disseram Brecht e Suhrkamp há já trinta anos, segundo o princípio de sua comercialização  e não segundo seu próprio contéudo...A Indústria Cultural se transforma em Public Relations(relações públicas), a saber, a fabricação de um simples good-will(boa vontade), sem relação com os produtores ou objetos de venda particular. Vai-se procurar o cliente para lhe vender um consentimento total e não-crítico, faz-se reclame para o mundo, assim como cada produto da Indústria Cultural é seu próprio reclame.´´

Adorno, in COHN, Gabriel. Comunicação e Indústria Cultural. São Paulo, Nacional/Edusp, 1971. p.287-288.
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Desta breve seleção que fiz dessas duas páginas, destaquei duas palavras-chave que acho importantes dentro do próprio texto, mas sobretudo no fenômeno da Indústria Cultural: Comercializaçã e não-crítico.

Estas duas palavras estão intimamente ligadas e explicam boa parte deste fenômeno cultural. A Indústria Cultural nescessita vender seus produtos e para tal segue as leis de mercado, como oferta e procura e aí surge um grande problema, pois certos tipos de produções culturais não tem uma procura muito grande, mas no entanto são boas obras. O problema se complica no Brasil, pois temos uma péssima educação escolar que não privilegia a autonomia do sujeito frente ao mundo e a si mesmo. A arte fica relegada a 1 ou 2 anos escolares e quando acontece é feita de forma medíocre. Lembro-me que boa parte da minha educação artistíca na escola era fazer pinturas em panos de prato para dar para presentear no dia das mães. É claro que valeu bons momentos, pois minha mãe ficava feliz, mas em termos de se educar em torno da arte, convenhamos, não me foi muito útil.

A segunda palavra é não-crítico. As vezes uma música de péssima qualidade de tanto tocar na rádio acaba impregnando em você e de vez em quando você. mesmo não gostando, se pega a cantarola-la. Mas, você, que me lê agora, talvez tenha senso crítico para discernir, mas o que dizer para uma criança? Uma criança ainda não tem senso crítico para a arte e este senso é formado na maior parte das vezes pela televisão e demais meios de comunicação. Não se trata de dizer que uma forma de arte é melhor ou pior. A questão não é essa. Se trata de dar opções de escolha. 

Isto é muito importante. Vejamos: Não existe nenhum problema que alguém passe o dia todo cantando a música da eguinha pocotó. Não existe, desde que tenha sido dado a ela a opção de ouvir Beethoven. Se ela livremente troca Mozart ou os Beatles por um forró desses qualquer, tudo bem, mas deve-se haver a possibilidade de escolha e é isso que a Indústria Cultural em sua sede capitalista nos nega.

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